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Brasil inicia processo para abrigar primeiros microrreatores com capacidade para produzir energia elétrica renovável

Brasil inicia processo para abrigar primeiros microrreatores com capacidade para produzir energia elétrica renovável

De acordo com levantamento do MCTI, 68% dos municípios brasileiros têm potencial para receber energia nuclear. Expectativa é que os primeiros equipamentos estejam prontos para o uso em 2033

17/12/2025 às 10:19

Imagem ilustrativa de um microrreator. Foto: CNEN

O setor nuclear brasileiro registra um importante avanço para atender às atuais demandas por energia limpa e progresso tecnológico. Inédita no Brasil, uma unidade crítica será construída no Rio de Janeiro (RJ) para abrigar o primeiro microrreator nuclear do País. O processo para concretizar o empreendimento que reunirá 13 parceiros institucionais foi iniciado em 15 de dezembro. O projeto conta com financiamento total de R$ 50 milhões: sendo R$ 30 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); e R$ 20 milhões da Diamante Geração de Energia. 

O equipamento vai prover energia elétrica para pequenas cidades, atender a data centers, plataformas de petróleo offshore (afastadas da costa) e bases militares, além de ser utilizado em diversos segmentos industriais, como metalurgia, alimentícia, química, têxtil, de produtos minerais não metálicos. A iniciativa é da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), autarquia vinculada ao MCTI, e envolve parceiros do setor privado, órgãos de apoio e fomento (como o MCTI, por meio da Finep, e a Agência Internacional de Energia Atômica); instituições científicas; e universidades. 

O objetivo é que, no futuro, os microrreatores nucleares desenvolvidos na unidade estejam à disposição para gerar eletricidade em cidades com menos de 20 mil habitantes. Cerca de 68% dos municípios brasileiros têm condições para receber energia por meio do equipamento, impactando a vida de cerca de 30 milhões de cidadãos. Por serem compactos, eles podem ser transportados para regiões de difícil acesso, atendendo a comunidades ribeirinhas e aquelas situadas em áreas de mata. 

 

 

Microrreator nuclear em solo brasileiro 

A unidade crítica ficará no Instituto de Engenharia Nuclear do CNEN, no Rio de Janeiro. A partir do licenciamento para a construção, a expectativa é que o primeiro microrreator nuclear esteja pronto para entrar em operação no Brasil até 2033. A estrutura vai operar em potência considerada muito baixa, na escala de 100W (Watt), sendo suficiente para sustentar a reação nuclear em cadeia, de forma controlada. 

“Ao conduzir o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, o presidente da República reafirma a sua confiança na ciência, que pode beneficiar gigantescamente o nosso País em todas as áreas, e muito especialmente na área de energia” destaca o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes) do MCTI, Inácio Arruda. 

A iniciativa contribuirá para o enfrentamento de um dos grandes desafios do século XXI, como a descarbonização, a transição energética e o desenvolvimento sustentável. Afinal, uma das suas principais vantagens da energia nuclear em comparação com as demais é o fato de não emitir gases poluentes, que aumentam o efeito estufa na atmosfera terrestre.  

De acordo com o diretor-executivo da Terminus P&D em Energia, Adolfo Braid, uma das empresas investidoras, o Brasil tem capacidade científica e tecnológica para projetar, fabricar e operar com excelência os microrreatores. “É um benefício muito grande ter um empreendimento como esse instalado dentro do País, porque, além de dominar todo o ciclo do combustível, toda a experiência que temos em operar usinas, enriquecer urânio, tudo isso se transforma, no final, em benefício para a população brasileira”, declara. 

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